Em 2025, criar conteúdo ficou fácil demais e se destacar, quase impossível. A IA acelerou tudo. Vieram linguagens novas, mas familiares demais. Estéticas que se repetem. Feeds que provocam uma sensação constante de déjà-vu.

Se 2025 tivesse um dicionário, esse vídeo do @blablalab.wtf seria o índice. Uma leitura afiada das palavras que mais impactaram culturalmente o Brasil

Essa hiperexposição abriu espaço para outra lógica. A atenção começou a migrar para aquilo que ainda carrega sinal de intenção. Processos visíveis. O human-made. O manual. O imperfeito. Tudo o que não parece ter sido cuspido por uma máquina em escala.

O cansaço com telas e timelines intermináveis ficou impossível de ignorar. Talvez por isso, o offline tenha voltado a ter valor. Mais encontros IRL. Mais experiências físicas. Mais tentativas de sair do feed. Mas existe um limite tênue aqui. Quando essa saída vira encenação, perde força. Quando soa performática, perde credibilidade.

2025 mostrou que o desafio não é só criar, mas conectar: criar significado em um mundo saturado, onde o digital domina, mas o offline reconquista relevância.

E 2026 promete intensificar essa dinâmica: com Copa do Mundo, eleições e atenção global, será sobre escolher com cuidado o que mostrar, o que sustentar e como tornar a presença da marca relevante.

Sem tempo para ler o report completo? Acesse o nosso post do Instagram que compilamos em highlights tudo que falamos aqui.

GO VIRAL, OOH FIRST

Depois de anos tentando resolver tudo dentro das telas, 2025 relembrou o valor do offline. E, junto com ele, da mídia fora do feed. Em um ambiente saturado por estímulos digitais e conteúdos excessivamente otimizados, o OOH deixou de ser apenas um meio de alcance e passou a operar como um novo gatilho de viralização.

Isso acontece porque ele existe fora da lógica da timeline. Não se pula, não se fecha, não se acelera em 2x. O OOH existe no mundo real, ocupa literalmente espaço no caminho de quem não estava procurando nada e, justamente por isso, encontra.

Foi exatamente isso que vimos em Nova York, quando a Rare Beauty apareceu… para ser sentida. Com billboards scratch & sniff espalhados por Soho e Chelsea, a marca transformou mídia OOH em uma experiência sensorial, convidando as pessoas a parar, tocar e descobrir um novo perfume antes de qualquer discurso ou grande promessa publicitária. Era só ir lá e sentir.

Rare Beauty by Selena Gomez on Instagram: "Only a few days left…

E não parou aí. Ao integrar QR codes que liberavam amostras exclusivas via Shop App, a Rare Beauty transformou o momento físico em ação imediata. Descoberta, curiosidade e intenção de compra aconteceram no mesmo momento, no meio da rua. Então, OOH deixou de ser só awareness e passou a operar como um touchpoint completo, onde o funil praticamente deixa de existir.

É dessa presença criativa que nasce o burburinho digital. Quando bem pensado, o OOH vira um ponto de contato que começa no físico e se estende naturalmente para as redes. Não porque implora por um story, mas porque provoca curiosidade, estranhamento e conversa. Cria o momento do “você viu isso?” antes mesmo de virar conteúdo.

No fim das contas, nem toda estratégia de viralização precisa começar no feed. Às vezes, o caminho mais direto para o digital passa, primeiro, pelo mundo real.

 

O Brasil não deixou de ser estereotipado, mas passou a não caber mais só nisso. Aos poucos, o país vem se afirmando como referência estética e cultural, com mais camadas, mais nuances e menos caricatura.

Em 2025, esse movimento ficou difícil de ser ignorado. O audiovisual brasileiro ganhou projeção global, marcas nacionais passaram a circular com mais naturalidade fora do país e a cultura brasileira ganhou mais destaque, sendo ainda mais desejada, comentada e reinterpretada.

Esse interesse também é movido por um fator que o Brasil domina como poucos: engajamento. A nossa capacidade de mobilizar, comentar, torcer e viralizar faz com que a cultura brasileira viaje mais rápido e mais longe, e marcas e veículos globais já perceberam isso.

O clima que vimos com Ainda Estou Aqui e Fernanda Torres começa a se repetir agora com O Agente Secreto e Wagner Moura, premiados no Golden Globes, em um movimento que mistura reconhecimento crítico e explosão cultural. No palco, Wagner resumiu tudo em uma frase: “Viva o Brasil, viva a cultura brasileira”.

Golden Globes on Instagram: "Enjoying this winning moment with …

Há, claro, um certo oportunismo nessa atenção internacional, mas também uma janela rara de amplificação cultural.

Não por acaso, no roundtable do Hollywood Reporter, Wagner foi direto ao dizer que recusa apagar o sotaque ao falar inglês. Primeiro porque ele não consegue, segundo porque é um gesto político. Ele fala como brasileiro porque representa milhões de brasileiros que vivem, trabalham e criam no mundo com a própria voz.

E talvez seja justamente isso que o mundo esteja pronto para ouvir.

E esse protagonismo não ficou restrito ao eixo Rio–São Paulo. A expansão acontece de dentro para fora. O mesinha com João Gomes virou fenômeno, Gaby Amarantos atravessou gêneros com Rock Doido, e expressões regionais ganharam escala, circulação e visibilidade.

Tiny Desk do João Gomes que viralizou com mais de 4 milhões de visualizações, vários recortes no TikTok e milhares de comentários apaixonados

Não é um novo hype. Sempre houve potência. A diferença é que agora ela reverbera mais, circula melhor e se amplifica no digital. Um Brasil plural, falando para si e para o mundo ao mesmo tempo.

O que muda em 2026 não é o fim desse momento, mas sua maturação.

Segundo o The Economist, a próxima fase da cultura global fala espanhol e português. Não como tendência apartada, mas como força estrutural que define o que o mundo consome, escuta e assiste.

Algo semelhante ao que marcas ligadas à cultura britânica vêm vivendo. O termo Brand Britain Evolved, discutido pela Protein, aponta justamente para esse deslocamento: sair do estereótipo e construir leituras mais próprias, autoconscientes e menos óbvias da identidade nacional.

Marcas como a Burberry entenderam isso cedo. Identidade não como repetição de símbolos, mas como interpretação criativa, leve e, às vezes, inesperada do que já existe.

Burberry on Instagram: "‘A Pinch of Salt’

It’s Always Burberry…

Talvez, daqui pra frente, não seja mais sobre usar estética brasileira como atalho ou sinônimo para brasilidade. Mas sobre tratar a identidade nacional como matéria-prima. Algo vivo, reinterpretável, muito rico e ainda pouco explorado.

E, com Copa do Mundo, premiações globais e atenção internacional crescente, a pergunta muda: deixa de ser sobre aparecer e passa a ser sobre como o Brasil escolhe contar sua própria história para si e para o mundo.

 

Em 2025, ficou claro que criar conteúdo já não é o desafio. O desafio é fazer alguém ficar. É nesse ponto que o worldbuilding ganha outra relevância para 2026.

Worldbuilding é quando a marca deixa de comunicar apenas mensagens e passa a construir um universo contínuo. Um sistema de referências, códigos, personagens, rituais e histórias que se conectam ao longo do tempo e atravessam formatos, plataformas e experiências on e off.

Vale o mergulho: este case study do Business of Fashion destrincha como o world-building virou uma das ferramentas mais potentes de conexão emocional entre marcas e pessoas.

O conteúdo vira porta de entrada. O mundo é o que sustenta.

Aqui, não se trata necessariamente de criar mundos fantasiosos. É dar forma ou reordenar o ecossistema de marca que já existe, tornando-o mais contínuo, interessante e ritmado.

Apesar dessa lógica não ser exatamente nova, ela muda de papel agora. Em um cenário ainda mais complexo, marcas que constroem universos oferecem algo raro: profundidade. Algo que não se esgota em um post, campanha ou trend.

E estratégias como o Community maxxing ganham maior potência em um mundo construído. Fomentar encontros, rituais, linguagens internas e experiências compartilhadas é o que faz a comunidade sair da posição de audiência e passar a habitar o universo da marca.

Em um post da SSENSE sobre o que muda em 2026 do que vestimos a como nos conectamos, J Wortham aponta um caminho claro: comunidades mais intencionais, menos audiência passiva.

Séries como Severance mostram isso na prática. A narrativa não fica restrita à tela. Ela se espalha em ativações físicas, perfis fictícios, objetos e pistas que convidam o público a explorar, conectar pontos e permanecer.

Quando a divulgação não explica a história, ela continua a história. Severance levou seu universo para uma estação de trem em Nova York e mostrou como o worldbuilding também acontece fora da tela.

Em 2026, o truque não está em criar mais e mais conteúdo, mas em sustentar o que já tem sido construído.

 

Em um mundo sem fricção, nada se ancora de verdade. Tudo desliza, deriva, colide e escorrega. E quando nada se ancora, nada se torna sagrado. O curioso é que, por muito tempo, foi exatamente isso que tentamos construir. Projetamos experiências cada vez mais fluidas, interfaces cada vez mais lisas, sistemas cada vez mais eficientes. Lutamos contra qualquer tipo de atrito como se ele fosse sempre um problema a ser resolvido. Só que, em algum ponto, ficou claro que otimização demais também empobrece. Quando a tentativa de eliminar fricção ignora a complexidade humana, o resultado são experiências achatadas, amorfas, planas. Sem lastro.

Talvez seja por isso que a fala do João Gomes sobre a ditadura das casas quadradas tenha mexido tanto com a gente. Não era só sobre arquitetura, nem sobre gosto pessoal. Era sobre a sensação de viver em ambientes sem textura, sem memória, sem alma. Casas sem alpendre, sem azulejo, sem rede dizem muito mais sobre um imaginário estético do que parece. O incômodo, no fundo, é com a falta de personalidade.

CAIO BRAZ on Instagram: "João Gomes @joaogomescantor falou melh…
RIP pra casa de “Esqueceram de Mim” também.

Edmond Lau, estrategista cultural e pesquisador, descreve o quanto introduzir a fricção nas nossas vidas é como amaciar um sapato novo. No começo, machuca. Dá bolha. Mas você insiste — por gosto, expertise, sofisticação, estilo, sinalização cultural. No fim, ele se molda perfeitamente ao seu pé. O senso comum diria pra comprar algo confortável desde o início. Mas a gente não faz isso. Porque sabe que vale a pena.

Esquema feito por Edmond Lau para mostrar que, como qualquer comportamento de marca, a fricção intencional precisa soar honesta e coerente com a sua visão e estratégia.

É essa lógica do triângulo da fricção que torna interessantes algumas escolhas culturais recentes. A Burberry, por exemplo, lançou um vídeo de nove minutos com Cole Palmer em que, aparentemente, nada acontece. O vídeo não viralizou, não virou trend, não entregou big numbers. Ainda assim, seguimos falando dele um ano depois. O mesmo vale pra claw machine *impossível* da Hermès, que nunca entrega a Birkin — mas esse é exatamente o objetivo da instalação, apropriadamente intitulada “PAIN”.

Coisas que fogem do lugar comum pedem tempo. Coisas complexas exigem repertório. As melhores coisas da vida costumam ser gostos adquiridos e, justamente por isso, são profundamente pessoais. O problema é que o gosto entrou em crise.

“Na prática, está cada vez mais difícil permanecer conectado ao nosso lado mais estranho em um mundo que é, algoritmicamente, reduzido ao menor denominador comum.” — Tina Zhang

Em um mundo onde fica cada vez mais difícil distinguir o que é real do que é IA, as pessoas passam a buscar sinais explícitos de humanidade. Erros de digitação, imperfeições, exageros, escolhas estranhas, até um certo bad taste começam a funcionar como prova de vida. Sustentar aquilo que é genuinamente seu, o próprio repertório, a confiança no próprio taco, é entrar em um espaço que diferencia você de todas as outras pessoas. Um espaço que te torna estranho. E que bom.

Porque a verdade é que, olhando pra 2026, tudo indica um retorno forte da cultura WEIRD. Ser estranho onde menos se espera. Colocar fricção onde tudo pede assepsia. Pense no que o Timothée Chalamet fez pra gerar buzz em torno de Marty SupremeUma call no Zoom, supostamente vazada, com a A24, em que ele passa 18 minutos apresentando ideias cada vez mais absurdas pra “promover” o filme. Não é o trailer de sempre que estamos acostumados a ver nem uma publicidade clássica. É estranho, confuso, intrigante. E nós adoramos isso.

Trailers são esperados, mas não são naturalmente compartilháveis. Uma reunião no Zoom é diferente. Todo mundo conhece o formato e isso traz a estranheza humana perfeita que faz o conteúdo ser SOCIAL-FIRST.

No fim, fricção não é um defeito a ser eliminado. É um sinal de presença, de intenção e de humanidade. Não à toa, Nelson Rodrigues já dizia que toda unanimidade é burra. Talvez o próximo capítulo da cultura não seja mais rápido, mais eficiente ou mais polido. Talvez ele seja mais específico, mais esquisito e um pouco mais difícil de digerir. E talvez seja exatamente isso que faça tudo voltar a ter mais gosto (João Gomes, essa é pra você).

 

Por muito tempo, os comentários foram tratados como um apêndice do conteúdo. Um espaço secundário, reativo, quase descartável. Mas isso mudou. Hoje, o comentário virou uma extensão do post. Abrimos um vídeo já descendo pra ver se alguém disse exatamente o que estávamos pensando — e o que encontramos é um mundo. Um mundo de opiniões que vão muito, mas muito, além da nossa própria opinião.

E isso nada mais é do que fricção em alto e bom tom.

Talvez a grande virada esteja justamente aí. Enquanto o feed se tornou um cozy place — fluido, bonito, previsível —, os comentários seguem como um mar aberto. É ali que a vida em comunidade acontece. Onde surgem os choques, as discordâncias, as conversas densas. Onde mora o insight humano mais honesto de todos.

Mas e quando entramos nos comentários e… tem… simplesmente… um comentário de uma MARCA? No meu momento de entretenimento? Se for bom, não incomoda. Entra no jogo. E aí acontece outra coisa: o comentário vira mídia dentro da mídia.

Por isso, estar presente apenas no próprio feed já não basta. As conversas mais relevantes acontecem fora dele: nos comentários de páginas de memes, nos vídeos viralizados na semana, nos espaços onde a marca não controla totalmente o contexto. É nesse terreno que ela aprende mais, testa linguagem, ganha repertório e respira.

Comentários = uma forma criativa de expressar o seu “brand say”.

Nos comentários, a marca pode existir de outro jeito. Mais poroso, mais palatável, mais humano. Menos presa a formatos rígidos e mais próxima de como falaria em um 1:1 com uma pessoa real.

Comentários permitem presença consistente sem o peso constante da produção — e não estamos falando apenas de visibilidade. Mas como parte perene e crucial de uma estratégia de conteúdo, assim como a construção do calendário de todo mês.

Isso porque nada disso é exatamente novo. A maioria dos algoritmos sempre recompensou perfis que participam ativamente das conversas, que interagem, respondem e se colocam em circulação dentro da plataforma. Quem mantém o perfil “aquecido”, aumenta as chances de aparecer em feeds, áreas de descoberta e recomendações.

Um único comentário certeiro pode gerar um novo seguidor, iniciar uma conversa ou até mesmo levar a uma venda. Embora alguns possam pensar que se trata apenas de uma conversa informal ou uma ação pontual de CM, é uma estratégia comprovadamente eficaz pra gerar resultados reais pra marcas de todos os tamanhos e indústrias.

Além das métricas, comentários consistentes constroem marca. Humanizam, dão personalidade e criam confiança. Com o tempo, a marca passa a ser reconhecida menos pelo que posta e mais por como se comporta nas conversas.

Dica pra 2026: trate seus comentários de melhor desempenho como trata um post. Observe padrões de curtidas, respostas, visitas ao perfil e qualquer engajamento subsequente que você ganha a partir de um comentário. Essa tática estratégica faz, agora, parte definitiva do seu motor de crescimento.

 

O algoritmo do TikTok vem nos dizendo há um tempo que seguidores não são a mesma coisa que views. Em média, só cerca de 10% do que aparece no feed vem de contas seguidas. Todo o resto é a aba For You funcionando exatamente como foi pensada: uma vitrine constante de desconhecidos, gente que você nunca viu antes, mas que pode te interessar.

 
“Você fez sua conta crescer numa época em que os gráficos sociais eram baseados em seguidores. Hoje, os gráficos sociais são baseados em interesses. Seguidores não significam nada. Conteúdo, sim. Quando encontro alguém com um canal antigo no YouTube que está performando mal, na maioria das vezes eu recomendo recomeçar.”
“Um amigo com 97 seguidores no TikTok acabou de postar um vídeo. 600 mil visualizações. 15 mil comentários. 2.500 compartilhamentos. Um ótimo exemplo de por que todos precisamos criar conteúdo pensando em descoberta e compartilhamento. Seguidores são uma métrica de vaidade.”

Mas, no fim das contas, se o objetivo é construir marca no social, não faz sentido ficar obcecado por views se essa construção está acontecendo de outras formas também. Hoje, o social parece muito mais sobre criar pensando em um mundo onde os conteúdos precisam romper a bolha. E isso só acontece quando existem pontos de contato diversos o suficiente pra encontrar algum tipo de conexão.

Ou seja, estamos falando de ON-RAMPS. Vários caminhos diferentes levando à mesma ideia central de marca. Quando o raciocínio é linear demais, cronológico demais ou preso só a dois polos (marca e influenciadores), ele simplesmente não dá conta dessa dinâmica muito mais porosa que começa a se desenhar pra 2026.

O próprio Instagram já nos disse isso, de forma bem literal:

  • Reels e carrosséis servem pra alcançar novas audiências (eles são exibidos pra não seguidores);

  • Carrosséis, fotos e stories aprofundam o relacionamento com quem já te segue;

  • Lives e canais de transmissão nutrem os fãs mais engajados

Se os formatos de escala pedem uma estratégia específica, os de comunidade pedem outra completamente diferente.

Por isso, se o seu grande objetivo é alcançar novos públicos, VOLUME é algo que as marcas vão buscar ainda mais neste novo ano no mercado de entretenimento. Rachel Karten, consultora de social media e autora da newsletter Link in Bio, usa o crescimento dos clippings pra explicar esse movimento:

Clipping é a prática de pegar conteúdos mais longos — como vídeos do YouTube, podcasts, lives ou entrevistas — e desdobrá-los em peças menores, mais fáceis de consumir

Isso reflete uma mudança ainda mais profunda na forma como consumimos conteúdos com pessoas. Não se trata de ninguém assistir mais a vídeos inteiros, mas com os clippings em alta, o comportamento de consumo muda radicalmente. Passamos a assistir a fragmentos que surgem nas timelines. Um clipe de cada vez. Uma frase que parece profunda justamente porque foi arrancada do contexto. Não sabemos o que veio antes, nem o que vem depois, e isso já não importa tanto. O conteúdo completo perde força, enquanto sua distribuição “picotada” ganha uma aura escalonável muito maior do que um único vídeo de 30 minutos.

THE VISION® ⚡️ on Instagram: "WE LOST THE PLOT A LONG TIME AGO …

É aí que entra o conteúdo serializado. Algoritmos de recomendação observam sinais pra entender se você quer continuar vendo alguém. Quando um conteúdo reaparece no próximo scroll dentro do mesmo “universo”, a chance de retenção aumenta muito. Como na TV, a lógica é manter a audiência ali por mais tempo possível.

“O algoritmo parece valorizar conteúdo episódico 10 vezes mais do que vídeos isolados”.

LINK IN BIO_2025

Marcas como CraighillInStyleThe Cheese Store of Beverly HillsAlexis Bittar e Gant entenderam isso cedo. Elas vêm acumulando milhões de visualizações justamente porque criam universos recorrentes, com personagens, códigos e enredos que se renovam em temporadas. As pessoas voltam não por um post específico, mas pelo conjunto da obra. Ou melhor: pelo world-building dessa marca.

Séries de conteúdo episódico que cultivam uma audiência fiel (sim, isso é possível na loucura de social media que vivemos atualmente).

Cada post adiciona uma camada à narrativa da marca. E pra quem vive o always on, sabe que ele vive justamente nos hiatos: é ali que a marca permanece consistente e culturalmente viva. Isso exige entender que a cultura se move em ritmos diferentes: não basta acompanhar memes, microtendências e highlights virais que moldam a conversa do dia a dia. É igualmente importante apostar no oposto, em trabalhos mais lentos, mais intencionais, que conquistam atenção em vez de implorar por ela.

Principalmente em 2026 veremos muito mais o slow storytelling em jogo, nos lembrando de tudo que falamos até aqui: fricção, world-building, estranheza e os conteúdos pensados pra serem consumidos com prazer antes de qualquer coisa. Ninguém está nas redes sociais pra ver sua marca. Entramos pra desopilar. Pra entreter. Por isso, todo post deveria começar pela base da pirâmide: isso entretém? As pessoas consumiriam esse conteúdo mesmo que não fosse de uma marca?

A Hermès aqueceu a comunidade criativa como ninguém: foram mais de 50 artistas convidados pra criar conteúdos para as redes sociais da marca, abraçando uma narrativa muito mais imersiva. Um entretenimento.

Se você quer que sua marca pareça especial em 2026, o caminho não é agradar o algoritmo a qualquer custo. É criar algo realmente bom. Algo feito pra gente de verdade. Rosalía já lançou e nós assinamos embaixo: “THE MORE WE’RE IN THE ERA OF DOPAMINE, THE MORE I WANT THE OPPOSITE.”

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