Você já se perguntou o que torna algumas pessoas referências em sua arte? E se essa arte for a criatividade em tudo que fazem? Bom, é com essa reflexão que na newsletter de hoje (e minha primeira <3), falaremos de uma pessoa que é referência em visão criativa: Pharrell Williams. Você pode conhecê-lo por cantar a famosa música Happy, primeiro lugar nas paradas em 24 países em 2014, mas a bagagem desse multiartista vai muito além.

Pharrell Williams: álbuns, músicas, shows | Deezer

 

O COMEÇO NA MÚSICA

Nascido em 1973 em Virginia Beach, Pharrell cresceu cercado de cultura e desde criança a música o fascinava, mais especificamente, a sinestesia que a música causava. Na escola, conheceu Chad Hugo, um amigo que compartilhava do mesmo sentimento, e foi então que os dois, apaixonados por produzir faixas, se juntaram em 1992 formando o grupo The Neptunes. Após um show de talentos em sua escola, eles foram descobertos pelo produtor Teddy Riley, que lhes ofereceu um contrato.

Mas não ache que o sucesso foi fácil e caiu do céu para eles não: Pharrell já contou em entrevistas como ficava o dia inteiro perambulando pela gravadora à procura de uma oportunidade de mostrar seu talento. E foi em um desses dias que, ouvindo Teddy gravar um verso para a música ‘Rump Shaker’, Pharrell teve a coragem de dizer que não estava bom e propor um novo verso, que logo depois virou um sucesso.

Essa confiança e visão desde o começo de sua carreira, já mostravam como ele era um artista diferenciado.

Vem ver alguns hits que foram produzidos pelo The Neptunes que você nem sabia:

Além desses hits icônicos da época, os Neptunes ainda tiveram uma participação na famosa campanha “I’m Lovin” com o Justin Timberlake — pois é, você sabia que foi o Pharrell Williams que escreveu o famoso jingle do Mc Donald´s mesmo após ser demitido de lá 3 vezes?

PHARREL NA MODA E A TRANSIÇÃO PARA ALTA COSTURA

Já em 2001, em um projeto paralelo, Shay Haley se juntou a Pharrell e Chad para formar um novo grupo: N.E.R.D. (acrônimo de No One Ever Really Dies) — verdadeiro debut de Pharrell como artista performático. Foi durante esse período que Pharrell, se destacando por seu estilo autêntico, conheceu Nigo, fundador da Bape, uma marca japonesa de streetwear. Esse encontro marcou a entrada de Pharrell no mundo da moda se tornando “garoto-propaganda não oficial”, e popularizando a Bape entre o público americano e outros rappers.

Inspirado por essa parceria e por seu estilo que unia hip-hop e skate, Pharrell criou a Billionaire Boys Club (BBC) ao lado de Nigo.

“A Billionaire Boys Club nasceu desses encontros visuais — ver roupas, correntes, estilos de joalheria... Tudo isso me fez querer criar de um jeito que ninguém ainda tinha feito.”

Pharrell para W Magazine

Para mim, é fascinante como Pharrell consegue se destacar agregando cada talento que tem aos projetos que se propõe a fazer. Ele sempre valorizou muito a individualidade, ou seja, a beleza de como cada pessoa é única e como, por isso, consegue ver coisas de formas diferentes.

Na moda, é impossível não falar de sua individualidade, com raízes no R&B e Hip Hop. E, conforme sua carreira progredia, o estilo pessoal do artista também evoluiu. Com itens icônicos, looks inspiradores que quebraram a barreira do que era tradicionalmente masculino e colaborações de sucesso, Pharrell foi se afirmando como uma figura influente na moda moderna.

Momentos icônicos de Pharrell na indústria da moda:

Com esses grandes momentos na indústria fashion, após anos de história com a marca, em 2023, Pharrell foi nomeado diretor criativo da linha masculina da Louis Vuitton, sucedendo o também icônico Virgil Abloh. A escolha de Pharrell para o cargo foi considerada inspiradora, segundo a Forbes, já que suas principais características se alinham perfeitamente ao desafio de transformar em realidade os valores da Louis Vuitton: inovação, espírito pioneiro e empreendedorismo aspiracional.

Inside Pharrell's World at Louis Vuitton and the New Era of Fashion He's Leading

Após dois anos no cargo, fica claro que a Forbes estava absolutamente certa e como cada desfile da Louis Vuitton é uma bomba de inspirações. Os looks de Pharrell sempre foram extremamente estilosos, mas na Louis Vuitton ele mescla seu estilo ousado à uma das marcas mais clássicas da alta costura, que vem se reinventando de uma forma invejável.

Acompanhar Pharrell nesse novo papel é brilhante e ouvi-lo falando das coleções, viciante. Ele reforça que não tem um papel de “fashion designer” na marca, mas sim de diretor criativo, carregando seu olhar crítico e repertório.

GENIALIDADE E LEGADO

Sua inquietação criativa também se expandiu para outras áreas. Com a produtora i am OTHER, Pharrell construiu um selo multidisciplinar que reúne música, moda, audiovisual e conteúdo digital. Lançou ainda o podcast Othertone, em que discute temas como produção, cultura e principalmente criatividade com diversos convidados como Tony Hawk, Kenny Beats, Mahershala Ali, Quincy Jones, Tiffany Haddish, entre muitos outros.

OTHERtone with Pharrell, Scott, and Fam-Lay - Tony Hawk

Além disso, criou sua própria linha de skincareHumanrace, com produtos sustentáveis e sem gênero. O posicionamento da marca quando foi lançada em 2020 foi inovador: queria transformar sua rotina de skin care em um ritual de autocuidado do corpo, mente e espírito. Mostrando mais uma vez a autenticidade alinhada a propósito de Pharrell. A marca virou uma referência tanto de “self care” como de marketing, com uma estética minimalista e parcerias com Adidas, Louis Vuitton, Lego e Evian Water.

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No cinema, transformou sua trajetória em uma narrativa simbólica de um jeito que só ele poderia fazerrepresentada por LEGO. O filme animado ‘Piece by Piece’ , mostra, por meio dos bloquinhos de plástico, seu processo criativo, colaborações, questionamentos e como ele vê a vida. E fica aqui minha indicação, porque o filme é inspirador e tocante — por incrível que pareça, as pecinhas de Lego podem te emocionar, sim!

“Eu sou um maverick. Sempre quis fazer todo tipo de coisa e já pensando no que vem depois e faço tudo do meu jeito”

Pharrel em "Piece by Piece (2024)

Fica claro que tudo o que Pharrell se dispõe a criar tem propósito e se diferencia pelo seu jeito único. E, quando falamos de impacto, o dele é tão amplo que ultrapassa a indústria do entretenimento. Em 2024, foi nomeado embaixador da UNESCO para educação artística e empreendedorismo, se firmando não apenas como artista e empreendedor, mas como um agente de mudança, cujo legado continuará a inspirar gerações futuras.

PHARREL-ISMS 

A VISÃO CRIATIVA DE PHARREL WILLIAMS

Para Pharell, criar vai além de uma necessidade profissional: é um ato de paixão, de fazer. E que é preciso sair da zona de segurança, mesmo que isso cause desconforto, para abrir espaço ao pensamento não convencional e inédito . O artista já comentou que fez várias músicas que não davam certo, inclusive sua faixa mais famosa Happy— que foi negada nove vezes antes de alcançar o sucesso. Mostrando que o processo criativo também envolve “erros”, versões descartadas e tentativas múltiplas.

Sua história e filosofia são tão impactantes que foram estudadas em universidades como Princeton e reunidas em forma de citações no livro ‘Pharrell-isms’. Consolidando-o como caso de estudo acadêmico e se juntando a grandes nomes da cultura moderna como Andy Warhol, Jean-Michel Basquiat e Keith Haring, que também viraram capa dura e formato de bolso na coleção editada por Larry Warsh.

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Compositor, cantor, produtor, ícone fashion, diretor criativo, empresário, ativista, e tudo que ele quiser ser. E isso fica claro quando vemos que, aos 52 anos e décadas de carreira, Pharrell continua expandindo sua influência no mundo criativo:

  • coragem que demonstrou desde o começo de sua carreira ao propor novos sons para gigantes do mercado é a mesma que faz ele se aventurar por novos desafios e romper barreiras do que se diz “convencional”.

  • individualidade que sempre valorizou é o que o faz reconhecer suas forças e parcerias de sucesso e não se distrair com suas próprias inseguranças.

  • E seu segredo? Justamente entender que a criatividade é algo do universo e o que fazemos é apenas encontrar ideias. Por isso nosso repertório e constante aprendizado são tão importantes.

Quando a gente junta tudo, dá pra ver que Pharrell não seria o criador de tendências e referência que é hoje sem ter feito tudo que fez e colaborado com as pessoas que colaborou (são tantas coisas legais que nem se eu tentasse — e olha que eu tentei rs — caberiam em uma newsletter só).

Seu processo criativo combina risco, inovação e paixão genuína pelo que faz. E toda sua trajetória prova que a criatividade não é apenas um talento individual, mas um modo de existir no mundo.

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