É a criatividade em tensão máxima com a produtividade. Para ser criativo, basta solucionar um problema. Mas, enquanto seguimos tomando decisões baseadas em medo e deixando as métricas sem intuição humana dirigirem o show, não vemos que a resposta está bem ali. E é aí que entra a autossabotagem organizacional.
Preferimos fazer qualquer coisa do que não fazer nada. Questionamos sem sequer testar. Enlouquecemos com as falhas. Buscamos soluções complexas mesmo que ineficazes. Ignoramos a dissidência.
Estar errado, honestamente, pode ser revigorante. Isso muitas vezes indica que você tentou algo novo ou se arriscou. Afinal, não há aprendizado sem experimentar. O grande problema de não questionar é que, ao evitar justamente a dissidência, deixamos de testar coisas novas. Sem esses testes, nem temos a oportunidade de aprender algo diferente. É aqui que a calma e a relativização, tão bem colocadas por Fernanda Torres, entram em cena. Elas nos ajudam a criar espaço para a espontaneidade, incentivando-nos a tentar e arriscar mais, sem medo do erro.
Afinal, quando aceitamos que não temos controle sobre tudo, também nos tornamos mais capazes de lidar com os resultados adversos — por incrível que pareça, o progresso não é impulsionado por mais steps burocráticos e camadas de teoria e, sim, por criar buracos e incentivar o espaço para divergência.